A fórmula do Descomplica

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Como o professor de física Marco Fisbhen criou uma das operações online mais inovadoras do Brasil, que atraiu investidores como Peter Thiel, o fundador do PayPal

Em uma aula tradicional sobre resistência do ar, o professor, em geral, vai até a lousa e desenha um paraquedas, com setas simbolizando as forças que estão atuando no equipamento. O professor de física Marco Fisbhen, de 37 anos, optou por um método bem mais real. No ano passado, ele literalmente se jogou de um avião para ensinar a lição aos seus alunos. Tudo foi documentado e publicado no site de aulas virtuais Descomplica, que ele fundou de uma forma quase amadora, quando dava aula em cursinhos e comprou uma câmera e um tripé, passando a se filmar no quarto de sua casa no Rio de Janeiro e a publicar em um canal do YouTube. “Muitas de nossas aulas são épicas”, disse o empreendedor à DINHEIRO. As aulas de biologia, por exemplo, são filmadas no Pantanal ou na Amazônia. As de química já foram gravadas em um balão para ensinar os conceitos aos estudantes.

Sete anos depois de fundar o Descomplica, o site ganhou musculatura e foi escolhido como a terceira empresa mais inovadora da América Latina, em ranking da revista americana Fast Company – a startup foi a primeira do Brasil, à frente da Creditas (4ª colocada), de crédito online, e do Contabilizei (9º lugar), de contabilidade. A Gávea, do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, foi a primeira a apostar na ideia de Fisbhen, em novembro de 2012, com R$ 250 mil. Um mês depois, o professor de física ganhou um cheque de US$ 1,5 milhão de diversos fundos de venture capital, entre eles o Valar Ventures, do empresário Peter Thiel, um dos fundadores da empresa de pagamentos online PayPal e um dos primeiros a investir no Facebook. No total, o Descomplica já recebeu três aportes, que somam US$ 13,5 milhões, de investidores como a Social Capital e a 500 Startups. “Acreditamos na capacidade de execução e na visão do Marco de inovar”, diz Bedy Yang, sócia do fundo de investimentos 500 Startups. “Ele tinha o desafio de criar uma marca de ensino para alunos de ensino médio e, ao mesmo tempo, desenvolver conteúdo para vídeo aula, trabalhar na distribuição e monetização.”

Adrenalina: Fisbhen aposta em “aulas épicas’’ e saltou de paraquedas pela primeira vez para ensinar física (Crédito:Divulgação)din1007_descomplica2-paraquedas

O pulo do gato de Fisbhen foi manter-se fiel às suas origens de quando dava aula em cursinhos e não sair atirando para todos os lados. O agora empreendedor focou-se em cursos preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prova elaborada pelo Ministério da Educação e a porta de entrada de grande parte dos estudantes à universidade.

Com isso, a startup se tornou um dos principais expoentes no Brasil de um segmento educacional muito promissor no exterior: o de cursos livres online para as massas (Mooc, na sigla em inglês). Em 2015, eles movimentaram US$ 1,8 bilhão no mundo, segundo a consultoria americana Research and Markets. Em 2020, a cifra deve alcançar US$ 8,5 bilhões. “O Descomplica está voltado para uma área muito importante e promissora no Brasil”, afirma William Klein, CEO da consultoria Hoper Educacional.

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No ano passado, o Descomplica atraiu 32 milhões de visitantes únicos ao site. O número dos que pagam uma mensalidade de pelo menos R$ 19,90 não é revelado, mas Fisbhen diz que já opera no azul. Com os recursos captados dos fundos de investimento, Fisbhen resolveu que era a hora de diversificar o negócio. Em 2016, ele fez sua primeira aquisição: a Master Júris, que produz conteúdo de cursos online preparatórios para concursos públicos e para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Está nos planos fazer mais aquisições para ampliar as verticais de atuação”, afirma Fisbhen.

A estratégia parece fazer sentido, na visão de especialistas. “É um nicho a ser explorado e com potencial de crescimento”, diz Wagner Sanchez, diretor acadêmico da Faculdade FIAP. Para Marcelo Coutinho, coordenador do Mestrado Profissional em Administração da FGV, o Brasil está só no começo daquilo que ele vê como uma explosão gigantesca de empresas de conteúdo específico dentro da educação. “A tecnologia fez com que o conhecimento ficasse obsoleto mais rapidamente”, afirma Coutinho. “As estruturas educacionais formais não conseguem responder à demanda na mesma velocidade.” Enquanto isso, Fisbhen planeja sua próxima aventura. Ele quer dar aula de física em pranchas de surfe e snow board.

Fonte: IstoÉ Dinheiro.

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